Teleatendimento do SUS para vício em apostas: o que muda a partir de 2026?

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O crescimento das apostas esportivas e dos chamados “bets” transformou a relação de muitos brasileiros com o jogo. O que para alguns é entretenimento, para outros se tornou fonte de ansiedade, dívidas, conflitos familiares e adoecimento emocional. Não à toa, a dependência em jogos já é reconhecida como um problema de saúde mental em vários países, incluindo o Brasil.
Pensando nesse cenário, o Ministério da Saúde anunciou um passo importante: a partir de fevereiro de 2026, o SUS vai oferecer teleatendimento em saúde mental específico para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
 
Neste texto, vamos explicar o que é essa nova iniciativa, quem pode se beneficiar, como o cuidado será organizado e por que isso representa um avanço na forma como o país enxerga o vício em apostas.

O que foi anunciado?

A partir de fevereiro de 2026, a rede pública de saúde passará a ofertar teleatendimentos em saúde mental com foco em jogos e apostas, por meio de uma parceria entre o SUS e o Hospital Sírio-Libanês, dentro do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS).
 
Inicialmente, serão cerca de 450 consultas online por mês, com expectativa de ampliação conforme a demanda. Ou seja, é um serviço que já nasce com possibilidade de crescer de acordo com a procura e com as necessidades reais da população.
 
Na prática, isso significa mais uma porta de entrada na rede pública para quem:
  • perdeu o controle com jogos e “bets”
  • está endividado por causa das apostas
  • sente impacto emocional importante (ansiedade, culpa, vergonha, depressão)
  • já tentou parar sozinho, mas não consegue
Essas pessoas passam a ter um canal estruturado de acolhimento e orientação, sem precisar, necessariamente, se deslocar de imediato até um serviço presencial.
 

O cuidado não termina na tela

Um ponto importante desse modelo é que o teleatendimento não substitui a rede presencial, e sim se integra a ela. Segundo o Ministério da Saúde, esses casos serão acompanhados dentro de uma Linha de Cuidado específica para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.
 
Funciona assim:
  • o teleatendimento acolhe a pessoa, identifica o grau de sofrimento e o padrão de uso do jogo;
  • quando necessário, o paciente é encaminhado para atendimento presencial em serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou hospitais gerais;
  • o acompanhamento pode envolver psicoterapia, intervenções em crise, suporte à família, medicação (quando indicada) e ações de reabilitação psicossocial.
 
Ou seja, a tela é um ponto de chegada e também de partida: ela aproxima a pessoa do cuidado, mas não limita o tratamento ao online.
 

Ferramenta de autoexclusão: um freio voluntário no acesso aos sites de apostas

 
Outra medida anunciada junto com o teleatendimento é a criação de uma ferramenta de autoexclusão centralizada. Na prática, isso quer dizer que a própria pessoa poderá solicitar o bloqueio do seu CPF em sites de apostas autorizados, impedindo novos cadastros e o recebimento de publicidade dessas plataformas.
 
Esse tipo de recurso já existe em outros países e funciona como uma barreira a mais para quem:
  • percebe que não consegue “jogar só um pouco”;
  • está tentando retomar o controle da própria rotina e das finanças;
  • vive recaídas frequentes quando recebe anúncios e bônus de apostas.
Claro que a autoexclusão não é, sozinha, um “tratamento”. Mas, combinada com acompanhamento em saúde mental e suporte social, pode ser um instrumento importante no processo de recuperação.

 

Observatório Saúde Brasil e apostas eletrônicas: dados a favor do cuidado

 
Para que políticas públicas sejam eficazes, é preciso entender o tamanho do problema. Por isso, o governo também lançou o Observatório Saúde Brasil e Apostas Eletrônicas, que vai acompanhar dados sobre o uso de jogos de aposta, comportamentos de risco e impactos na saúde mental.
 
A proposta é usar essas informações para:
  • mapear perfis de risco e populações mais vulneráveis;
  • aprimorar a formação de profissionais de saúde;
  • orientar campanhas de prevenção;
  • ajustar a linha de cuidado conforme a realidade de cada região do país.
 
O Ministério da Saúde também está qualificando milhares de profissionais da Rede de Atenção Psicossocial para lidar com esse tipo de demanda, por meio de cursos específicos sobre jogos de aposta e saúde mental.
 

Por que isso importa para quem sofre com vício em apostas?

 
Até pouco tempo atrás, muitas pessoas com problemas relacionados a jogos ouviam frases como “é só parar”, “é falta de força de vontade”, “se meteu nisso, se vira”. Esse tipo de discurso aumenta a culpa e a vergonha — justamente dois sentimentos que já fazem parte do quadro de dependência.
 
Quando o SUS cria uma linha de cuidado específica, oferece teleatendimento e integra esse tema à saúde mental, a mensagem é outra:
  • vício em apostas é um problema de saúde, não de caráter;
  • existe tratamento, com equipe multiprofissional;
  • ninguém precisa enfrentar isso sozinho.

 

Esse reconhecimento muda a forma como a pessoa se enxerga e, muitas vezes, abre espaço para que ela busque ajuda pela primeira vez.
 

Quando procurar ajuda?

 
Vale a pena buscar ajuda quando o jogo começa a:
  • ocupar grande parte do seu tempo e dos seus pensamentos;
  • causar dívidas, atrasos de contas ou uso de dinheiro reservado para necessidades básicas;
  • gerar mentiras para a família, amigos ou parceiro(a) sobre valores gastos;
  • provocar ansiedade intensa, culpa, vergonha ou desesperança;
  • causar dificuldades no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos.

 

Se você leu essa lista e se reconheceu, isso não significa que “você é o problema”. Significa que você está vivendo algo que merece cuidado — e que esse cuidado começa com um passo: falar com alguém preparado para ouvir e orientar.
 

Mensagem final: pedir ajuda é coragem, não fraqueza

 
O teleatendimento do SUS para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, é um avanço importante na forma como o país olha para esse tema. Ele amplia o acesso, reduz barreiras e oferece caminhos reais de cuidado.
 
Mais do que uma notícia, essa mudança traz um recado poderoso: vício em apostas não é falta de caráter, é um problema de saúde que pode ser tratado. Buscar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza.
 
Se isso faz sentido para você, salve essa informação, compartilhe com quem precisa e, principalmente, considere dar o primeiro passo quando se sentir pronto.

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